E agora?

Acabou. Daqui a um mês, quarenta cinco dias alguma coisa irá acabar –  o namoro, a amizade, o curso, o casamento. Mas no meu caso só acabou. Arrumo a mala e pergunto: Vou para onde?

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Olha aí, quanta oportunidade pela frente, a minha vó diria. Filha,  A vida é uma só, então vai lá e aproveite. Você só tá começando. Respire fundo, você consegue. Ah, vó, tanta frase de autoajuda, mas eu só queria saber mesmo: o que acontece depois?

Eu não sou a maior fã de rotinas, amo mudanças mas de certa forma sofro com finais. A palavra “fim” nunca fez muito sentido para mim. Dá aquela sensação amarga, linha que diz “chega”. E aí ou a gente dá meia volta ou muda de caminho: de certo lugares não dá mais para passar.  Caramba, e agora?

Algumas vezes você diz só adeus, algumas vezes esperneia, algumas vezes esquece. Sente aquele aperto, não consegue dormir. Pensa em olhar para trás o tempo todo. Mas vai. Respira fundo e vai, porque a graça da vida está justamente em poder recomeçar.

Bom, acabou, vó. Vou arrumar a mala com roupas, até mesmo aquelas que eu não gosto tanto de usar (vai que meus gostos mudam, não é mesmo?). Vou tomar umas doses de coragem, esconder o medo com o sorriso. Afinal, é só mais um fim , não é vó? Vou parar com o drama. seus conselhos têm mesmo razão: se quase tudo pode acabar, o que importa mesmo são os nossos meios e começos. Então vamos lá, sacudir a poeira e recomeçar. E ver no que isso vai dar.

É menina, precisamos crescer.

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Eu recomecei esse texto muitas vezes, apaguei o que não era válido, mudei de assunto, acrescentei mais virgulas e alguns pontos. Pensei na minha falta de habilidade de preencher espaços completamente vazios, lastimei o dia em que prometi que não desistiria de escrever. Questionei porque diabos eu criei esse blog, se é tão difícil começar.

Existe uma lista de rascunho que eu tenho preguiça de terminar. Na minha gaveta há um caderno com todos meus questionamentos, grande parte é besteira. Alguns deles deveria tratar em terapia. Tenho problemas mal resolvidos, unhas para pintar e contas a pagar. Não consigo lidar com as responsabilidade que me é confiada, sinto insegurança sempre que sei quando alguém está a avaliar.  Perdi as contas de quantos livros preciso ler, de quantas pessoas esperam minha resposta aos seus convites.

Ainda não consigo saber se é minha cama ou minha mente que está mais bagunçada, não consigo entender que as coisas de alguns anos atrás precisam permanecer lá, tenho incapacidade de criar novas prioridades. As coisas deveriam ser como esse texto, não importa o que apague ou como eu mude, nada do que fizer aqui mudará o meu destino ou de outras pessoas. É tão dificil recomeçar, é tão mais complicado quando não temos alguém para decidir e intermediar por nós. É menina, precisamos crescer. E crescer exige escolhas. E elas não nos dão nenhuma garantia. Quando é que eu assinei esse contrato?